sexta-feira, 14 de março de 2014

Resposta ao exercício de interpretação (01/03): o mal do Brasil é VOCÊ!

Recentemente publiquei neste blog um texto perguntando qual era a relação entre imagens que apresentavam figuras de demônios cristãos sendo acusados pelos problemas do mundo, e a frase: " A sociedade vai mal porque os políticos não prestam" (confira o post aqui).
Pois bem, chegou a hora de respondermos a este exercício. Uma das coisas que mais mata o mundo atual é a necessidade que os seres humanos, em geral, possuem, de jogar a culpa de seus problemas nos outros, considerando-se meras vítimas de uma sociedade, coitadinhos que nada fazem para merecer aquilo. Culpar o diabo de algo é uma forma de fazer isso: é mais fácil culpar alguém (quanto mais quando este "alguém" pode ser simplesmente um ser imaginário) do que admitir seus próprios erros e tentar consertá-los. É mais fácil crer que o outro errou e prejudicou você do quê que você mesmo tenha errado e se prejudicado.

Vejamos um exemplo: 

"O diabo incendiou a minha casa! Eu saí para trabalhar e quando cheguei em casa ela estava toda queimada". O indivíduo em questão só esquece que ele, antes de sair de casa, esqueceu uma vela acessa próximo a uma cortina em sua sala de estar. Não foi o diabo que queimou a casa desta pessoa, e sim, ela mesma, mas isso é ruim de admitir (pega mal).

Vejamos outro exemplo, sendo que neste já adentraremos mais profundamente no nosso tema desta pulicação: 

"Sabe qual é a causa da droga no mundo? O diabo". É evidente que uma pessoa que defenda radicalmente um argumento deste desconsidera, no mínimo, uma boa parte das causas sociais que causam a disseminação da droga.

Algo similar ao anterior acontece quando, por exemplo, uma diretora de uma escola pública recebe a merenda escolar da prefeitura (aliás, uma boa merenda, que deveria ser distribuída para os alunos), mas a gasta em benefícios próprios. A "pedagoga" coloca uma pequena quantia de alimento a disposição das crianças, mas leva o que tem de melhor para sua casa, e nas épocas de eleição vem dizer: "Nenhum político presta. O Brasil está cheio de criancinhas passando fome!".
A partir do exemplo acima, que deixo claro, é baseado em fatos muito reais, que devo concordar: brasileiro: o mal deste país é você. 

Você reclama do político corrupto, mas no seu dia-a-dia, dificilmente exerce a honestidade que prega. 
Você diz: "como está suja esta cidade", mas ensina teu filho a jogar papel no chão. 
Você reclama do preconceito e da homofobia, mas dentro de sua própria casa você pratica o preconceito em simples brincadeiras, que, em muitas vezes, nem nota. 
Você reclama que um vídeo aqui ou ali desrespeitou sua religião, mas em seguida diz: "chuta que é macumba". 
Você quer um político honesto, mas vota no corrupto porque recebeu dinheiro ou porque este está na frente nas campanhas eleitorais e você não quer perder seu voto.
Você reclama que o transporte público está ruim, mas prega chiclete debaixo do banco de um ônibus.
Você reclama que a educação está ruim, mas em sua própria casa não educa seus filhos.
Você diz que o trânsito podia ser mais organizado, mas você nem se quer "dá seta" ao virar nas ruas.
Você reclama das mortes no trânsito, mas você não usa cinto de segurança.
Você só sabe pedir e reclamar, mas não faz nada para agir e melhorar sua realidade!

Culpar os políticos nestes casos é a mesma coisa que culpar o capeta pelos seus problemas. É eximir-se de uma responsabilidade que também é sua. A única diferença é que os políticos são palpáveis, reais, e o capeta não, mas a "filosofia da culpa" é absolutamente a mesma.
Você pode dizer: "Ah, mas o que os políticos fazem é bem pior se comparado com o que eu faço". Por um lado sim, por outro não. A desonestidade das pessoas é proporcional a aquilo que as cercam. O aluno cola na escola, ou seja, está sendo desonesto em um ambiente, em um contexto que é seu. Os políticos fazem praticamente a mesma coisa que você, cidadão, só que em uma escala maior, mas isso não exime a culpa individual de cada pessoa pelos problemas sociais.
Pense, reflita e faça! Não cobre o que você não faz, não atribua uma culpa que é sua aos outros, pois isso, te faz, além de ignorante, um grande covarde.


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Nesta publicação, ainda não entrarei em detalhes no exemplo que dei da "pedagoga" que desvia merenda (e outras "coisas") de um colégio público em Goiânia/GO. Poderei, no entanto, e se tudo "der certo", estar fazendo isso em breve.
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Romes Sousa

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