terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ativismo político: sim, é preciso!

Legenda:
Trechos em itálico: se referem a fala de alguém ou algum grupo;
Trechos em negrito: frases importantes sendo destacadas.

Há no Brasil atual uma enorme quantidade de partidos políticos, registrados ou não. Não sou contra a existência de múltiplas agremiações, pelo contrário, em um estado democrático deve sim existir mais de uma forma de se pensar política; caso contrário, teríamos totalitarismo, e aí a nossa teórica democracia teria sim "ido pro brejo". 
Pois bem, tudo perfeito até então, mas, há um problema... na época das eleições, são inúmeros os partidos que defendem melhorias na educação, no meio ambiente, na saúde, na qualidade de vida do cidadão, etc, etc, etc, mas, francamente... problemas sociais só existem no ano da eleição?!
Todo partido defende uma ideologia, seja ela capitalista, cristã, socialista, comunista, sustentabilista, etc, o problema é que a defesa desta ideologia se restringe ao campo teórico, ou seja, não se torna prática. Partidos políticos Brasil a fora, que tal começarem a fazer, mesmo não estando no poder, algo que, ao menos favoreça aquilo que defendem?!
Não estou falando que "os partidos devem construir, em tempo não eleitoral, escolas e hospitais e ofereceram a população", pois, se assim falasse, o "justo" argumento "mas eles não tem dinheiro para isso" seria totalmente aceitável; o que quero dizer é: porque um partido político ambientalista não promove, não só em ano eleitoral, campanhas de preservação ao meio ambiente?! Eu quero dizer campanhas úteis, louváveis, como ajudar a reflorestar uma área ou replantar uma praça pública. Zelar pelo bem da sociedade não é só responsabilidade do governo, mas sim, de todos, e principalmente de "agremiações que visam o bem social".
Que tal o senhor, partido que defende a educação, fazer campanhas em escolas ou até mesmo nas casas sobre temas relativos ao contexto educacional das crianças? Ah, me esqueci! Inventaram uma tal de "aliança", ou coligação partidária, e aí existe um rito que diz que quando um partido está no poder, seus rivais devem criticá-lo, persegui-lo. Não se combatem ações com palavras. Se queres mudar alguma coisa, aja! "Ah, mas se o partido fizer isso ele vai estar divulgando a ideologia dele"... não tem problema divulgar ideologia desde que se faça um bem para a sociedade.
Caros eleitores, não caiam nessa... partidos, tanto de ordem capitalista quanto socialista, ou seja lá o que forem, prometem, dizem defender isso ou aquilo, mas não praticam! E sim, eu estou defendendo que partidos políticos podem sim se comportar como ONG's, no sentido da iniciativa para sanar problemas sociais... qual o problema?!
É triste ver um país como o Brasil, com todos esses problemas sociais que todos conhecem, ter partidos que, um, dois anos antes de eleições já começam a definir quem serão seus candidatos, ao invés de se preocuparem com o real bem da sociedade. "Ah, mas o bem é relativo. Um partido pode achar que fazer o bem é isso e outro que fazer o bem é aquilo"... então que os dois façam, e o povo é quem vai escolher o que é realmente melhor.
Pessoas, pensem... quando ouvirem, numa campanha eleitoral, um candidato dizendo: "o governo tal durante sua estadia no governo acabou com a educação, destruiu o meio ambiente, etc, etc", reflitam: candidato, e onde estava você e seu partidinho que não fizeram nada?!
Defendo o ativismo partidário como forma de se fazer realmente política. O político verdadeiro está longe de ser aquele que senta no seu cabinete e vai a reuniões partidárias. O político verdadeiro é aquele que vai ás ruas e "põe a mão na massa" em busca do que considera correto. 

Diga não ao poder pelo poder, você é maior e mais valioso que isso!

Romes Sousa

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ele é fascista, nazista, satânico, demoníaco... mas... e daí?!

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Uma publicação sobre este assunto pode ter chegado num momento mais ou menos tardio, mas é importante deixar aqui esta reflexão. 
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Em meio aos protestos que vemos acontecendo atualmente, e muitos em São Paulo, diversos grupos vem acusando, entre outras pessoas, o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmim de ser fascista. Eu, particularmente, não gosto da ideologia, da forma de governo, e de nada politicamente falando que diga respeito ao Sr. Alckmim, mas... suponhamos que ele realmente seja fascista... e daí?!
Eu não sou a favor de nenhuma forma de totalitarismo, e por consequência do Fascismo, mas repare: se o governador de São Paulo e as outras pessoas acusadas forem realmente fascistas, o problema é delas, e a culpa de um fascista estar no poder é sua, pois foi você que elegeu ele... a problemática é simples assim.
A questão aí está no seguinte: um governante, ou qualquer pessoa civil, tem, numa sociedade democrática, a total liberdade (ao menos na teoria) para ser fascista, comunista, nazista, anarquista, capitalista, meijista, satanista, cristão, islâmico, ou qualquer coisa que ele queira ser, por mais que a ideologia que ele defenda seja contrária a opinião da sociedade em que está inserido. Ou seja, num regime democrático e laico, sou eu, e mais ninguém que define qual bandeira eu quero levantar, e assim, obviamente, o governador Geraldo Alckmim, a presidente Dilma, ou qualquer mendigo da rua pode ser o que ele quiser, ideologicamente falando.
Se a pessoa tem a liberdade de ser o que quiser, concorre a uma eleição, mas você não concorda com a ideologia que ela carrega, a única coisa que podes fazer é não votar nela. Suponhamos que no caso, os acusados nos protestos fossem mesmos fascistas... será que eles iriam se importar com um bando de pessoas gritando algo que eles são assumidamente?! Para isso cabe um exemplo: 
"O Sr. Joaquim está em sua. Em certa hora da noite, muitas pessoas começam a vir para a porta de sua casinha e gritar: "Cristão, cristão, cristão!". O Sr. Joaquim vai a missa todos os dias, e, ao ouvir isso, fica lisonjeado com tais adjetivos."
Assim, chamar um fascista de fascista não vai mudar em nada, absolutamente nada a sua caracterização política. O máximo que ele poderá fazer é sair na janela e gritar: "Nossa, obrigado! Vocês estão me reconhecendo por algo que eu sou".
Claro que toda essa reflexão partiu de interpretações literais do termo "fascista", e não irei entrar no mérito "mas eu não sabia que ele era fascista", pois, no caso dos protestos, o adjetivo usado (fascista) foi um xingamento, assim como é na maioria das vezes "satânico". "maquiavélico" ou "gay". O que quero deixar para reflexão são duas coisas:
1) Xingar alguém com um adjetivo ideológico é algo irracional, pois se a pessoa realmente for da ideologia a qual está sendo xingada, ela simplesmente não se importará, e se não for, poderá tranquilamente ignorar. Esperar que o outro fique irritado com um xingamento de "fascista" é algo totalmente infantil (literalmente), pois, é apenas em brincadeiras (ou brigas) de criança que vemos (ou deveríamos ver) um amiguinho chamando o outro de "feio" e este ficando triste.
2) As pessoas possuem liberdade democrática de ser o que quiserem. Cuidado com acusações e desrespeito por causa da ideologia que o outro segue. Isso se chama preconceito, e no preconceito, o errado se transforma em certo, e o certo se transforma em errado. Saiba ter suas convicções, mas não maltrate as pessoas com base nas crenças ou seguimentos delas. Como disse, se você é cristão e é contra um candidato satanista, simplesmente não vote nele. Não vai adiantar você querer ir para a porta dele e ficar gritando "satânico, satânico, satânico", pois ele já sabe disso.
Para complementar o que escrevi hoje vou deixar um vídeo que vai sintetizar esta questão de liberdade e ideologia.
Do canal Pirulla25, que sugiro que sigam.

Romes Sousa

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O mundo anda mal? Pai, a culpa é sua!

Hoje tive uma experiência curiosa que me levou a uma conclusão que só neste momento posso considerar óbvia, mas, de qualquer forma, elucidarei sobre para que mais pessoas pensem a respeito.
Na porta de um importante colégio particular de minha cidade, por volta das 17:30, um garoto negro de aproximadamente sete anos de idade andava de um lado para o outro, em busca sabe-se lá do quê.  O menino estava mal vestido e, sem contras, apresentava ser de uma classe social inferior. A impressão que dava era de que ele estava pedindo algo, ou seja, uma criança pedinte. 
O garoto foi até a governanta do colégio, num momento que esta abriu o portão de entrada dos alunos da escola, disse algo, e foi repudiado com um grande "não", que reparei nitidamente. Não posso afirmar qual havia sido a pergunta da criança. Em seguida, o mesmo foi até uma livraria, ao lado do referido portão, e novamente foi repudiado. Numa nova tentativa, o menino, que comia um algodão doce aparentemente sujo, se aproximou de uma aluna do colégio e, ligeiramente bateu o doce nesta, que estranhou. A adolescente tentou puxar conversa, mas nada adiantou. Ela perguntou o seu nome, e não foi respondida. 
O menino continuou a andar e eu, de longe observava tudo. Ele então, no momento em que os alunos menores da instituição saiam, o pobre garoto adentrou a um local na escola onde funciona um jardim de infância. Ficou por lá poucos minutos (ou um minuto), e saiu repudiado pela coordenadora pedagógica da escola.
As peripécias não pararam e logo depois o garoto, tomando água em uma garrafa, se aproximou de uma outra aluna adolescente e, estranhamente, cuspiu uma quantia desta água que tomava no chão, próximo a garota, que obviamente, estranhou aquilo. 
Apesar de só o que já narrei possibilitar uma boa reflexão sobre diversos assuntos de contexto social, o que mais chama a atenção vem quando o portão para as crianças maiores, em torno de sete, oito anos de idade (o mesmo portão em que o menino pediu algo para a governanta e foi rejeitado) foi aberto.
O leitor deve ter reparado que antes, o garoto negro foi excluído de todos os contextos que vivenciou. Agora, não. Curiosamente, as outras crianças, principalmente meninos, de idade similar a do protagonista desta história, aceitavam sua aproximação. O menino de classe social inferior ficou por alguns minutos com um grupo de alunos da escola, depois foi conviver com outros, que brincavam com cartinhas, chegando até em um dado momento, a arrumar uma pequena confusão de criança com filhos de pessoas "da alta" de minha cidade. Era isso mesmo: um menino pobre foi rejeitado por adultos não tão pobres, mas conviveu muito bem com crianças ricas, filhas de pais influentes na sociedade em questão.

O que isso quer dizer? Porque o garoto foi repelido por adultos e não por crianças?

O senso comum poderia dizer: crianças são dóceis, inocentes, puras, carinhosas... etc, etc, etc... mas acontece que este blog não trabalha com senso comum. Na história descrita observamos este estranho fenômeno que me faz levantar a seguinte hipótese: a noção de segregação por classe social, assim como a discriminação e por consequência, o preconceito, são oriundos, invariavelmente, dos processos de socialização pelas quais um indivíduo é exposto principalmente na fase da infância.
Não é um total determinismo, mas sim, a pessoa aprende a ser preconceituosa, aprende a segregar dentro de sua própria casa. Sim! Principalmente dentro de casa, com a sua família, o que corresponde ao processo de socialização primária. 
Praticamente todo pai que ler esta postagem dirá: "ora, mas que não sou preconceituoso, não passo preconceito para meu filho". Sr. Pai, alguma vez o senhor já fez alguma brincadeira, ou mesmo disse dentro de casa: "aquele viado...", "aquele gay...", "isso é muito gay", "isso é coisa de preto", "chuta que é macumba", "isso é coisa do capeta". Já xingou alguém no trânsito de "gay", ou até mesmo de "idiota", "burro", "mongoloide"? Se fez isso, ou qualquer coisa similar, saiba: você, querendo ou não, desrespeitou um grupo social, ou seja, o senhor, caro papai, agiu preconceituosamente e ensinou o seu filho a ser preconceituoso, desenvolveu isso nele.
Porém, caso realmente não tenha existido um processo de socialização primária que desenvolvesse o preconceito, em geral, a criança aprenderá (ou tenderá muito a aprender) este em socialização secundária (ou seja, nos seus outros centros de convivência - escola, igreja, casas de amiguinhos, etc), no entanto, o preconceito que se desenvolve em socialização secundária tende a ser menor do que aquele que emerge em socialização primária. Ou seja, o que a família ensina normalmente tem um peso maior na infância do que aquilo que quem está de fora ensina. Portanto, pais, vocês são os maiores educadores que seus filhos podem ter. Pensem nisso!

Mas qual o motivo de haver desencontro de comportamento entre ações preconceituosas de adultos e crianças? Porque os adultos parecem ser mais preconceituosos? Dentro da história, qual a razão de os adultos terem rejeitado o menino, e as crianças, não?

Uma criança em fase de sete, oito anos, como as da história, está aprendendo, está se socializando em um meio, ou seja, não possui ainda a malícia suficiente que um adulto possui, e por tanto, não demonstrará preconceito para muitas coisas e será, como os adultos falam, inocente, puro, angelical, doce, etc.
Um indivíduo desenvolve ideias e ações mediante às suas experiências e conclusões, e a criança ainda não possui toda uma bagagem, que é até mesmo de "conhecimento" para julgar tão maliciosamente situações de nosso dia-a-dia.
Outro fator que também impulsiona isso é o fato de terem as crianças nesta faixa de idade - sete, oito - uma necessidade grande por brincar, se divertir. Logo, elas não estão ligando tanto para questões sociais, culturais, ou seja, não importam totalmente se a outra criança é negra, azul, pobre, rica, feia, satânica, etc, etc, etc,... elas querem brincar, apenas isso, e este segundo fator se relaciona com o que foi falado no primeiro: a criança é livre da malícia tradicional de um adulto, e essa liberdade dá mais facilidade para que ela demonstre suas vontades, sensações, emoções e sentimentos.

Tentei, por meio da reflexão imediata que tive que fazer hoje - 19/02, passar a todos a noção exata de que, em geral, todo o condicionamento de relações sociais é ensinado e aprendido principalmente na infância, dentro dos processos de socialização, dando ênfase a socialização primária. Preciso relembrar também da importância da educação dos pais para com seus filhos. Se é do desejo de todos a construção de uma sociedade melhor, então que comecemos pelas nossas casas, pelas nossas crias. Uma sociedade só pode ser igualizada, realmente igualizada, por educação, e qualquer medida que contrarie isso pode ser considerada de caráter imediato e, logo, não evolutivo e/ou permanente. 

Antes de querer mudar o mundo, haja, exista, mude-se.

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REFLEXÃO EXTRA: As peripécias do menino sob um olhar "poético"

Narrei, ao longo da história do menino pobre, diversos episódios em que a criança faz peripécias, brincadeiras (algumas até estranhas) com quem o estava próximo. Observem, sem falar de sentido psicológico e psiquiátrico disso tudo, o cunho poético dessas ações: o menino fazia tudo aquilo para ser visto, para ser notado. Se não fizesse, ninguém daria a mínima para aquela criança. De uma forma ou de outra, ele protestava contra a nossa sociedade que, de tão capitalista, chega a ser contraditória. Sem fazer juízo de valor, mas, claro, já fazendo, uma escola, um centro de educação, excluiu de seu convívio uma criança cuja idade era similar a das que lá estudam simples e meramente por questões sociais, financeiras e estéticas. O menino negro protestou, como quem diz: "eu existo, eu estou aqui, vocês não estão me vendo?". Capitalismo exacerbado, se contradiga! Você existe, quase que totalmente, para isso!
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Romes Sousa

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Uma luta de classes diferente...

ATENÇÃO: Este é um texto rápido e totalmente resumido de ideias próprias do autor, que não visa se estender sobre nenhum assunto. Como, por onde começar e como agir para que as propostas sejam atendidas são assuntos para outras publicações. Obrigado!

A máxima marxista de luta de classes, caso levada ao pé da letra, se faz um tanto quanto violenta atualmente, contrária aos direitos humanos. Guerrear, matar pessoas, destruir governos e famílias tendo por fim a implantação de uma sociedade mais justa e igualitária... não, talvez este não seja o caminho.
A verdadeira luta de classes ocorrerá (ou deve ocorrer) quando pessoas souberem, por si só, questionar a um sistema de governo, crescer sua intelectualidade a fim de debater e saber exercer com soberania a sua cidadania. O Brasil mais precisa de críticos do que de guerrilheiros. Sociedade igualitária se implanta com educação, e não com armas.
Uma sociedade sem classes e totalmente igualitária é possível? Não sei, mas dar condições para que criemos um país igualitário... sim, isso é possível! 

Romes Sousa