sábado, 17 de maio de 2014

Desfazendo rótulos: em defesa do socialismo


Talvez sejam estas as críticas mais comuns que muitos fazem simplesmente ao ouvir falar de Socialismo. Em todas elas, percebe-se uma real falta de estudo, leitura e argumento. É evidente que discordâncias quanto a uma ideologia política, social, ou seja lá qual for, podem acontecer, mas toda discordância precisa de ter um princípio básico real, baseado em um ponto efetivamente concreto e não subjetivo, de modo que a fugir do senso comum, recheado de falácias. Nesta publicação, comentaremos sobre os ditos acima, desmistificando e mostrando a falta de coerência de cada um deles.

1- "O que você acha do socialismo?" - "Eu não gosto, porque socialismo é só ditadura!" - Sim! Se formos pegar Marx por base, o socialismo realmente prega a ditadura. Então o argumento é válido?! Não! A ditadura que Marx defendeu chama-se ditadura do proletariado, ou seja, o proletariado (o povo trabalhador) no poder: o poder nas mãos do povo, o que, em nossa sociedade, ganha outro nome que todo político gosta de exaltar, mas que no fundo, poucos a exercem: democracia.
"Mas os regimes socialistas foram todos de ditadura." - Basta um pequeno estudo de ciências humanas para ver que, na verdade, a União Soviética não foi marxista. China, não foi e não é marxista. Cuba igualmente. Ou seja: há vários tipos de socialismo e o socialismo que a maioria dos socialistas defendem é o marxista. Este, jamais foi colocado efetivamente em prática, logo, falar que socialistas são defensores da ditadura é, no mínimo, desconhecimento.

2- "Eu sou comunista!" - "Assassino! Comedor de criancinhas! Como você pode defender um assassino sanguinário como Stalin e um alienador como Mao Tse Tung?" - Talvez o segundo parágrafo do tópico anterior já responda essas perguntas: ser socialista, ou comunista, não significa dizer que se apoia Stalin, Mao Tse Tung, Che Guevera, e todos esses outros "lideres" por aí. Ser socialista não significa concordar com o regime de Cuba e da Coreia do Norte. Eu posso ser socialista e não gostar de nenhum dos líderes citados. Eu posso ser socialista e ser contra Stalin e todos os outros ditadores da história. Sim! Eu posso, e sabe porque?! 
Como já falamos, um regime marxista nunca fora implantado efetivamente no planeta Terra. Se eu for marxista, tenho totais motivos para discordar de todos os outros "socialistas" que implantaram ditadura no mundo inteiro. Aproveitando esta, vamos desmistificar outra coisa: nem todo socialista deve ser marxista. O Marxismo é apenas um tipo de socialismo. Além deste, tempos o Trotskismo, Stalinismo, Castrismo, Luxemburguismo, Maoísmo, Gramscismo, Titoísmo, e outros "ismos" por aí - e isso sem citar as vertentes do socialismo utópico (assim classificados por Marx e Engels), marcados por pensadores como Robert Owen, Fourier, Saint-Simon, etc. Resumindo: ser socialista não significa dizer que se concorda com chefes de estado comunistas, assim como que se concorda com Marx e Engels.

3- "Eu sou socialista!" - "Socialismo nunca deu certo!" - Já respondemos esta pergunta nos tópicos anteriores. Afirmar que socialismo nunca deu certo, se partirmos do pressuposto de que quem disse "Eu sou socialista" for marxista, é incoerente, porque o Marxismo nunca fora efetivamente posto em prática, logo, não dá para dizer que algo que não foi colocado em prática não deu certo.
Aliás, a questão de "não dar certo" é complicada. Quem não considera certo?! Ora, as pessoas possuem visões diferentes. Um rico pode achar o capitalismo a oitava maravilha do mundo, tendo suas posições para dizer isso, por outro lado, um pobre pode achar o capitalismo o sistema mais agressivo e imoral do mundo, também com motivos para defender sua opinião (embora isso não signifique que todo rico é capitalista e todo pobre é anticapitalista). Fazer o juízo de valor de que algo não deu certo nos faz cair em questões filosóficas complexas, em que é melhor cada um ter seus pontos de vista. Deste modo, a forma correta de o não socialista argumentar seria perguntar ao interlocutor se ele é marxista e, se sim, dizer: "Eu penso que as formas que tivemos de se tentar implantar o marxismo não deram certas", pois aí sim estaria indo ao ponto da questão e fugindo da falácia.

Estudar é preciso, compreender é o produto do estudo. Não se julga nada sem ter bases. Falar com a boca dos outros é alienação. Estude, pensa, cresça e viva: não deixe ninguém pensar por você.

Romes Sousa

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Tomada de poder na USP: Parabéns, juventude! - Ditadura nunca mais!

Estou deixando aqui um vídeo sobre uma literal "tomada de poder popular" que aconteceu no último dia 31 de março na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Para facilitar a compreensão, o que ocorre é o seguinte: o professor está em sala de aula fazendo um discurso discriminatório ao doutrina comunista e favorável ao regime militar, implanto no Brasil há 50 anos. Do lado de fora, alunos e manifestantes realizam, inicialmente, um teatro (presumo que seja; foi o que me pareceu) que mostra as atrocidades realizadas durante o período militar. Num dado momento, os alunos tomam a sala de aula de forma brilhante, cantando a música Opinião, de Zé Keti, cujo trecho principal é expresso abaixo:

"Podem me prender
Podem me bater
Podem, até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não (...)"

Após não ter sucesso no controle da situação, o professor se retira da sala de aula. Um dos protestantes toma o microfone fazendo um belo discurso de combate ao regime ditatorial que se implantou no Brasil tempos atrás. 
Parabéns aos manifestantes! Para aqueles que defendem a democracia, este foi um momento de total contentamento com a ação de nossa juventude. Um protesto sem violência, em que, literalmente, o povo soube impor seu poder e repudiar aqueles que ainda se apegam ao passado e defendem uma nova ditadura militar.

Vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=zpZ-CpjkZXM#t=222 (com teatro e discurso de manifestante).

(Vídeo com a música Opinião - Zé Keti: https://www.youtube.com/watch?v=aUp0PhdUaUc).
Romes Sousa

segunda-feira, 31 de março de 2014

Sim, mulher você pode!

A polêmica atual diz respeito a uma pesquisa nacional recentemente realizada que  constatou que 61,5% dos entrevistados defendem que a mulher é responsável pelo estupro. Pois bem, vamos debater este assunto!
Podem existir casos em que a mulher facilita o estupro, como, por exemplo, se estiver andando a noite, desacompanhada, num beco escuro, com roupas que incitem a ação sexual, etc, etc, etc. Sim, há como a mulher facilitar isso, assim como há meios para que qualquer cidadão facilite um assalto, por exemplo. No entanto, o fato de a violência sexual estar mais facilitada por determinado fator não quer dizer em absolutamente NADA que a mulher é culpada ou pediu para ser estuprada.
É papel de qualquer um evitar a violência, agora, é inadmissível pensar que a mulher tenha que se vestir segundo o que alguns impõem para não ser violentada. Se  você defende que a mulher que se veste mal mereça ser estuprada, estás, sem sombra de dúvidas, defendendo que o homem tem o direito de agir violentamente caso a mulher não siga uma norma estabelecida por um meio social esdrúxulo. É legal pensar que no passado, em diversas sociedades, se a mulher cometesse um erro, o marido podia castigá-la como quisesse. É estranho pensar que essa ideia não seja arcaica.
conforme normas socialmente construídas sob pena de ser violentada caso não cumpra com isso. Vejamos bem:
"Ah, mas o homem não mede suas ações; é irracional". Pois então, prove-me que o homem (do sexo masculino) é irracional e incontrolável ao ponto de não conseguir ver uma mulher vestida como quer e não a estuprá-la! Prove-me isso biologicamente. Eu preciso de uma pesquisa científica que diga: "o homem, ao ver uma mulher com pouca roupa, não tem controle sobre si e a estupra". Prove-me que isso é uma atitude involuntária. Atenham-se: existem diversos fatores sociais, psicológicos e até psiquiátricos que determinam que um homem (do sexo masculino) tenha mais ou menos chances de estuprar uma mulher caso esta esteja com pouca roupa.
É irracional pensar desta forma. Ter o ponto de vista similar ao criticado anteriormente é ignorar uma gama enorme de conhecimentos científicos já construídos. Se você defende que a mulher deve se vestir para não ser estuprada, então deve concordar que a criança deve se vestir também totalmente coberta para não atrair pedófilos, que o trabalhador deve jogar seu dinheiro ao vento para não atrair ladrões. Não se faz um país livre quando se impõe punições meramente sociais e culturais a um determinado grupo. Será que o candomblecista que anda com as roupas de seu culto nas ruas merece passar por intolerância religiosa por não estar vestido como o normal?
Mulher, o corpo é seu, a vida é sua. Se existe alguém que está errado num estupro é o estuprador. Se existe alguém que está errado numa pedofilia é o pedófilo. Se existe alguém que está errado num roubo é o ladrão. Se existe alguém que está errado num atentado religioso é o agressor. Nossa sociedade apresenta diferenças internas, nossa cultura é múltipla, e precisamos saber respeitá-la. Não se vive a custa da violência. Não se vive a custa dos bandidos. O Brasil precisa impor leis, e não tabus. 

Diga não ao machismo. Diga não ao preconceito. Seja pensante.

Romes Sousa

sexta-feira, 28 de março de 2014

Orgulho sustentabilista: o bem estar social vale mais!

Uma sociedade é mais que direita e esquerda.
Se me perguntarem: "qual é sua ideologia política?", eu certamente direi: Sou sustentabilista! Ser sustentabilista significa dizer que sou favorável a aplicação de práticas sustentáveis, em todos os aspectos, numa sociedade. Ou seja, eu defendo um governo planejado, idealizado e ativo em que o conceito de sustentabilidade seja primário para qualquer medida.
Até algum tempo atrás (e, aliás, até hoje), nossa política dividia-se em dois grandes grupos: os capitalistas, neoliberalistas e afins, e os socialistas, comunistas e afins. O problema de se pautar unicamente sobre duas definições é: uma sociedade não é bipolar, e sim, multipolar. Temos vários grupos, várias ideologias e vários conceitos dentro, principalmente, da sociedade moderna, logo, esta não será bem divida se pegarmos uma parte ao extremo: ou o socialismo extremista, ou o capitalismo exacerbado. 
O que isso significa? Não se constitui uma sociedade justa e feliz só com o capitalismo ou só com o socialismo, no sentido comum da palavra. As pessoas pensam diferentes, tem objetivos e sonhos diferentes, e esta individualidade deve ser respeitada. Nós falamos aqui de sociedade humana, e não de sociedade de máquinas, em que um só comanda a todos como bem entende. Aliás, o grande problema da política moderna foi (e continua sendo) este: tenta-se muito destruir algo e elevar outro. Tenta-se privilegiar um e combater o outro. Não se chega num consenso, e assim, o número de revoltosos sempre será grande. Elevar uma parte e desfavorecer outra é a semente da desigualdade em uma sociedade. Num regime destes, sempre um grupo tenderá a estar fortemente revoltado. 
Como forma de gerir uma sociedade tradicionalmente multipolar e diversa, preocupando-se com o bem estar geral, surge o conceito de sustentabilidade, no qual devemos olhar para o hoje sem esquecermos que existe amanhã. Temos que trabalhar problemas olhando as partes, e não os resultados. Sim, ficar em cima do muro; pois é de lá que podemos ter a melhor visão para analisar as nuanças de um povo, os anseios de uma sociedade em todas as suas partes, gerando assim justiça e bem estar social.
Privilegiar fanaticamente um dos regimes - capitalista ou socialista - é, no mínimo, um motivo para se gerar falta de bem estar social, descontentamento e fracasso político. Aliás, é justamente quando o governo não consegue gerar bem estar social, causando descontentamento e revolta popular, que surgem, além de revoltas, a implantação de ditaduras, ou, no mínimo, regimes rígidos. Fazer política não é isso! Fazer política é saber falar e ouvir a todos; é superar barreiras conceituais e oportunizar a geração de um ambiente onde prevaleça o diálogo e a satisfação mútua. 

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena: sou sustentabilista!
Adaptado da frase de Fernando Pessoa

Romes Sousa

sábado, 22 de março de 2014

Marcha da Família e volta da ditadura: Acorda Brasil!

Li poucos minutos atrás uma notícia (aqui) de que indivíduos haviam realizado a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, reivindicando a volta da ditadura militar e o combate ao comunismo que poderia estar sendo aproximado do governo Dilma. 

Observemos:

EM UMA DITADURA...

Você é preso e morre se compartilhar críticas ao regime no facebook e em outras redes sociais.
Você fica desprovido de capacidade intelectual porque os governantes querem uma população imbecil que não questione.
Não há liberdade de imprensa. O governo quer tudo sob suas rédeas.
Não há oposição organizada. Não há respeito a opinião do outro. Ninguém reivindica nada com os poderosos, resumindo:
Você morre se não concordar com o governo!

Deu para entender?! O Brasil pode estar na pior condição possível, mas eu prefiro viver num país corrupto do que não ter liberdade para dizer o que penso! Eu prefiro viver num país em que o que prevalece é somente a politicagem do que correr o risco de sair na rua e ser preso, torturado e morto por motivos ideológicos.
Não é com ditadura que se resolve corrupção. Não é com ditadura que se resolve problemas de Copa (até porque esta medida também é defendida pelos socialistas). Não é com ditadura que se resolve pobreza. Não é tirando a liberdade do povo de opinar e escolher seus governantes que vamos mudar alguma coisa neste país. Quem garante que os militares vão fazer o que esse povo quer?! Quem garante que numa ditadura militar moderna não teremos corrupção, tortura e antidemocracia?! É preciso deixar a ingenuidade de lado para algumas coisas. Ditadura não é tão bonitinho assim. No regime como o atual, os políticos roubam, mas o povo pode reclamar, pois fica sabendo disso (em algumas vezes, claro) e ninguém vai perseguir aquele que critica o roubo (que assim seja). Numa ditadura, os políticos roubam dos mesmo jeito, mas ninguém fica sabendo e que fala mal ainda morre. 
Pessoas, acordem. Nós estamos num patamar que tanto a extrema direita quanto a extrema esquerda querem a mesma coisa, que é tirar o PT do poder. Como já escrevi, tanto os direitistas quanto os esquerdistas são contrários aos gastos com a copa. Tanto um grupo quanto o outro querem o fim da corrupção e querem um governo mais atuante. Praticamente qualquer solução para sanar as crises no Brasil é melhor do que implantar uma ditadura. Vamos pensar mais... não se desarma uma bomba armando outras. 

Ao invés de ditadura já, eu digo: raciocínio já!

Romes Sousa

domingo, 16 de março de 2014

Partido Militar, volta da ditadura, combate aos comunistas... como assim?

Li precisamente hoje, 16/03, diversas notícias recentes que falam sobre a regularização do PMB, Partido Militar Brasileiro, relacionando isso com um determinado grupo de pessoas que quer a volta da ditadura militar no Brasil e com militares que dizem que farão de tudo para nosso país não caia nas mãos dos comunistas.
Vou comentar previamente cada assunto desses, mas por favor, estou escrevendo este texto para buscar respostas. Se algum membro ou filiado do PMB ou qualquer órgão envolvido ler este texto, por favor, comente, me elucide sobre o assunto!

Vamos lá!

1) Regularização do PMB: Concordo totalmente. É constitucional o direito que eles possuem de criar um partido, independente de qual seja a ideologia. Se surgisse um partido neonazista no Brasil, que quisesse ser regularizado, e houvesse número suficiente de assinaturas para tal, não veria problema algum. Se o PMB tem as aproximadamente 500.000 assinaturas necessárias, é de seu direito total pedir, junto ao TSE, sua regularização com partido político de fato, inclusive concorrendo a eleições.

2) Volta da ditadura: Ok, o Brasil está passando por muitos problemas sociais... isso é indiscutível.
Agora... onde as pessoas estão com a cabeça para defenderem a volta da ditadura?! Será que estes sabem o que é uma ditadura?! Ditadura é um regime antidemocrático, onde não se tem liberdade para absolutamente nada, onde o governo persegue aqueles que tem uma opinião contrária a dele. É isso que vocês querem?! Realmente, é tirando a liberdade do brasileiro que vocês acham que vão melhorar o país? E só para completar: ditadura não significa fim da corrupção! Na Revolução Russa, quando Lenin assumiu o poder com uma ditadura de esquerda, havia sim corrupção. Isso é histórico, não tem o que discutir! Para quem acha que ditadura melhora a educação, sugiro que voltem a estudar: Não! Numa ditadura tudo o que o governo quer é uma população que não questione, que seja ignorante, porque, se de fato as pessoas tiverem educação, elas vão questionar o governo ditatorial, e isso geraria revolta, guerra civil, e muitas coisas indesejáveis ao regime predominante.

3) Combate aos comunistas: Toda pessoa é livre para defender sua ideologia, inclusive o anticomunismo. No entanto, quando você age matando pessoas, prendendo e torturando outras simplesmente porque elas são de uma ideologia contrária a sua, o que conseguirás é somente incentivar e disseminar o preconceito, destruir famílias, criar um governo covarde e, principalmente, implantar uma antidemocracia total. 

Portanto, ou você defende a democracia, ou defende a ditadura. Não há como querer uma "ditadura democrática", não há como querer uma "democracia" onde se combate um determinado grupo ideológico simplesmente por não gostar da ideologia do outro. Acordem!

Leia mais notícias sobre: 
General afirma que 'tempo para militares reagirem ao governo da esquerda totalitária está se esgotando' 
Pirata, Militar, Novo e Arena tentam virar partidos políticos no Brasil


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Tomara que tais notícias não passem de simples boatos! Tomara!
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Romes Sousa

sexta-feira, 14 de março de 2014

Resposta ao exercício de interpretação (01/03): o mal do Brasil é VOCÊ!

Recentemente publiquei neste blog um texto perguntando qual era a relação entre imagens que apresentavam figuras de demônios cristãos sendo acusados pelos problemas do mundo, e a frase: " A sociedade vai mal porque os políticos não prestam" (confira o post aqui).
Pois bem, chegou a hora de respondermos a este exercício. Uma das coisas que mais mata o mundo atual é a necessidade que os seres humanos, em geral, possuem, de jogar a culpa de seus problemas nos outros, considerando-se meras vítimas de uma sociedade, coitadinhos que nada fazem para merecer aquilo. Culpar o diabo de algo é uma forma de fazer isso: é mais fácil culpar alguém (quanto mais quando este "alguém" pode ser simplesmente um ser imaginário) do que admitir seus próprios erros e tentar consertá-los. É mais fácil crer que o outro errou e prejudicou você do quê que você mesmo tenha errado e se prejudicado.

Vejamos um exemplo: 

"O diabo incendiou a minha casa! Eu saí para trabalhar e quando cheguei em casa ela estava toda queimada". O indivíduo em questão só esquece que ele, antes de sair de casa, esqueceu uma vela acessa próximo a uma cortina em sua sala de estar. Não foi o diabo que queimou a casa desta pessoa, e sim, ela mesma, mas isso é ruim de admitir (pega mal).

Vejamos outro exemplo, sendo que neste já adentraremos mais profundamente no nosso tema desta pulicação: 

"Sabe qual é a causa da droga no mundo? O diabo". É evidente que uma pessoa que defenda radicalmente um argumento deste desconsidera, no mínimo, uma boa parte das causas sociais que causam a disseminação da droga.

Algo similar ao anterior acontece quando, por exemplo, uma diretora de uma escola pública recebe a merenda escolar da prefeitura (aliás, uma boa merenda, que deveria ser distribuída para os alunos), mas a gasta em benefícios próprios. A "pedagoga" coloca uma pequena quantia de alimento a disposição das crianças, mas leva o que tem de melhor para sua casa, e nas épocas de eleição vem dizer: "Nenhum político presta. O Brasil está cheio de criancinhas passando fome!".
A partir do exemplo acima, que deixo claro, é baseado em fatos muito reais, que devo concordar: brasileiro: o mal deste país é você. 

Você reclama do político corrupto, mas no seu dia-a-dia, dificilmente exerce a honestidade que prega. 
Você diz: "como está suja esta cidade", mas ensina teu filho a jogar papel no chão. 
Você reclama do preconceito e da homofobia, mas dentro de sua própria casa você pratica o preconceito em simples brincadeiras, que, em muitas vezes, nem nota. 
Você reclama que um vídeo aqui ou ali desrespeitou sua religião, mas em seguida diz: "chuta que é macumba". 
Você quer um político honesto, mas vota no corrupto porque recebeu dinheiro ou porque este está na frente nas campanhas eleitorais e você não quer perder seu voto.
Você reclama que o transporte público está ruim, mas prega chiclete debaixo do banco de um ônibus.
Você reclama que a educação está ruim, mas em sua própria casa não educa seus filhos.
Você diz que o trânsito podia ser mais organizado, mas você nem se quer "dá seta" ao virar nas ruas.
Você reclama das mortes no trânsito, mas você não usa cinto de segurança.
Você só sabe pedir e reclamar, mas não faz nada para agir e melhorar sua realidade!

Culpar os políticos nestes casos é a mesma coisa que culpar o capeta pelos seus problemas. É eximir-se de uma responsabilidade que também é sua. A única diferença é que os políticos são palpáveis, reais, e o capeta não, mas a "filosofia da culpa" é absolutamente a mesma.
Você pode dizer: "Ah, mas o que os políticos fazem é bem pior se comparado com o que eu faço". Por um lado sim, por outro não. A desonestidade das pessoas é proporcional a aquilo que as cercam. O aluno cola na escola, ou seja, está sendo desonesto em um ambiente, em um contexto que é seu. Os políticos fazem praticamente a mesma coisa que você, cidadão, só que em uma escala maior, mas isso não exime a culpa individual de cada pessoa pelos problemas sociais.
Pense, reflita e faça! Não cobre o que você não faz, não atribua uma culpa que é sua aos outros, pois isso, te faz, além de ignorante, um grande covarde.


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Nesta publicação, ainda não entrarei em detalhes no exemplo que dei da "pedagoga" que desvia merenda (e outras "coisas") de um colégio público em Goiânia/GO. Poderei, no entanto, e se tudo "der certo", estar fazendo isso em breve.
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Romes Sousa

segunda-feira, 10 de março de 2014

Resposta ao post anterior: Congratulações ao PSOL

Na última postagem deste blog (que pode ser acessada aqui), eu havia feito uma crítica com relação a postura que alguns partidos políticos, entre eles, o socialista PSOL, vinham tomando perante às manifestações dos garis no Rio de Janeiro.
No entanto, no mesmo dia da postagem, 07/03/14, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) publicou em seu site oficial uma nota afirmando total apoio a greve dos garis cariocas. Somente hoje, 10/03/14, pude acessar o referido site e perceber a publicação,  por isso estou, através deste post, parabenizando totalmente o PSOL pela iniciativa. 
Nós precisamos de partidos políticos que assumam posições sociais condizentes com suas ideologias, fugindo da politicagem moderna. São com atitudes como esta, assumida pelo PSOL, que poderemos ter esperança de encarar, em maior ou menor tempo, um Brasil com partidos políticos que funcionem, sobretudo, com base em suas ideias próprias, em suas ideologias, caso contrário, a noção de "partido" poderá ser simplesmente "um aglomerado de políticos em busca de eleição". Que assim não seja.


Romes Sousa

sexta-feira, 7 de março de 2014

GREVE DOS GARIS - Avante PSOL: Que o seu Socialismo não pare na politicagem brasileira

Está comum atualmente ligarmos nossas televisões e assistirmos algo sobre as greves que os garis vêm promovendo no Rio de Janeiro, tendo por base a reivindicação de 49% de aumento salarial, enquanto a prefeitura quer aumentar apenas 9%. Boatos sobre a participação de partidos políticos (em especial, PR e PSOL) nos protestos foram divulgados pela imprensa. Até aí, tudo bem, mas...
Os partidos parecem negar piamente suas participações nas greves, como se fossem simplesmente coadjuvantes nisso tudo... porque?! Vejamos: o PSOL chamasse Partido Socialismo e Liberdade. O fato de ele ser SOCIALISTA já o dá o direito total de ficar a favor de trabalhadores em qualquer militância. É ideológica e historicamente aceito o fato de partidos socialistas, ou comunistas ficarem, ao menos na teoria, mais próximos do povo, a favor do trabalhador, em lutas por melhores condições de vida, salário, etc. 
A única justificativa plausível para os partidos não estarem se assumindo como participantes ou ao menos favoráveis aos protestos me parece ser simplesmente política (no sentido ruim da palavra): ou seja: se o PSOL postular "Eu apoio as greves e vou protestar também!", o governo carioca poderia dizer: "Estão vendo: isso é manobra da oposição para fragilizar nosso governo!". Ou seja, mais uma vez a politicagem parece estar vencendo a política (no nobre sentido da palavra).
Assim sendo, digo, e certamente falo por muitos: PSOL, vocês são socialistas e estão totalmente certos em lutarem em defesa dos garis e de qualquer outro trabalhador que esteja sendo injustiçado. Vão em frente! Não há nada de errado em defender uma bandeira. O erro está em se omitir perante as vontades da politicagem brasileira. Avante! Vão a luta! Não se faz oposição apenas em congresso!

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OBS.: Notícias recentes indicam que o PSOL parece ter "se assumido" (ou quase isso) favorável aos protestos, o que é o ótimo. No entanto, não vejo nada de errado se a militância do Partido Socialismo e Liberdade decidir lutar junto com os manifestantes, ou ao menos apoiá-los formalmente dizendo: "Estamos aqui. Se precisar, podem contar!". 

Vídeos e notícias sobre: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/03/equipes-de-limpeza-sao-escoltadas-para-tirar-lixo-no-rio-de-janeiro.html
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Romes Sousa

sábado, 1 de março de 2014

Exercício de Interpretação: qual a relação?

Observe essas imagens:



Agora leia esta frase:

"A SOCIEDADE VAI MAL PORQUE OS POLÍTICOS NÃO PRESTAM!"

Qual a semelhança entre as imagens e a frase?
Em breve, neste blog!

Romes Sousa

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ativismo político: sim, é preciso!

Legenda:
Trechos em itálico: se referem a fala de alguém ou algum grupo;
Trechos em negrito: frases importantes sendo destacadas.

Há no Brasil atual uma enorme quantidade de partidos políticos, registrados ou não. Não sou contra a existência de múltiplas agremiações, pelo contrário, em um estado democrático deve sim existir mais de uma forma de se pensar política; caso contrário, teríamos totalitarismo, e aí a nossa teórica democracia teria sim "ido pro brejo". 
Pois bem, tudo perfeito até então, mas, há um problema... na época das eleições, são inúmeros os partidos que defendem melhorias na educação, no meio ambiente, na saúde, na qualidade de vida do cidadão, etc, etc, etc, mas, francamente... problemas sociais só existem no ano da eleição?!
Todo partido defende uma ideologia, seja ela capitalista, cristã, socialista, comunista, sustentabilista, etc, o problema é que a defesa desta ideologia se restringe ao campo teórico, ou seja, não se torna prática. Partidos políticos Brasil a fora, que tal começarem a fazer, mesmo não estando no poder, algo que, ao menos favoreça aquilo que defendem?!
Não estou falando que "os partidos devem construir, em tempo não eleitoral, escolas e hospitais e ofereceram a população", pois, se assim falasse, o "justo" argumento "mas eles não tem dinheiro para isso" seria totalmente aceitável; o que quero dizer é: porque um partido político ambientalista não promove, não só em ano eleitoral, campanhas de preservação ao meio ambiente?! Eu quero dizer campanhas úteis, louváveis, como ajudar a reflorestar uma área ou replantar uma praça pública. Zelar pelo bem da sociedade não é só responsabilidade do governo, mas sim, de todos, e principalmente de "agremiações que visam o bem social".
Que tal o senhor, partido que defende a educação, fazer campanhas em escolas ou até mesmo nas casas sobre temas relativos ao contexto educacional das crianças? Ah, me esqueci! Inventaram uma tal de "aliança", ou coligação partidária, e aí existe um rito que diz que quando um partido está no poder, seus rivais devem criticá-lo, persegui-lo. Não se combatem ações com palavras. Se queres mudar alguma coisa, aja! "Ah, mas se o partido fizer isso ele vai estar divulgando a ideologia dele"... não tem problema divulgar ideologia desde que se faça um bem para a sociedade.
Caros eleitores, não caiam nessa... partidos, tanto de ordem capitalista quanto socialista, ou seja lá o que forem, prometem, dizem defender isso ou aquilo, mas não praticam! E sim, eu estou defendendo que partidos políticos podem sim se comportar como ONG's, no sentido da iniciativa para sanar problemas sociais... qual o problema?!
É triste ver um país como o Brasil, com todos esses problemas sociais que todos conhecem, ter partidos que, um, dois anos antes de eleições já começam a definir quem serão seus candidatos, ao invés de se preocuparem com o real bem da sociedade. "Ah, mas o bem é relativo. Um partido pode achar que fazer o bem é isso e outro que fazer o bem é aquilo"... então que os dois façam, e o povo é quem vai escolher o que é realmente melhor.
Pessoas, pensem... quando ouvirem, numa campanha eleitoral, um candidato dizendo: "o governo tal durante sua estadia no governo acabou com a educação, destruiu o meio ambiente, etc, etc", reflitam: candidato, e onde estava você e seu partidinho que não fizeram nada?!
Defendo o ativismo partidário como forma de se fazer realmente política. O político verdadeiro está longe de ser aquele que senta no seu cabinete e vai a reuniões partidárias. O político verdadeiro é aquele que vai ás ruas e "põe a mão na massa" em busca do que considera correto. 

Diga não ao poder pelo poder, você é maior e mais valioso que isso!

Romes Sousa

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Ele é fascista, nazista, satânico, demoníaco... mas... e daí?!

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Uma publicação sobre este assunto pode ter chegado num momento mais ou menos tardio, mas é importante deixar aqui esta reflexão. 
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Em meio aos protestos que vemos acontecendo atualmente, e muitos em São Paulo, diversos grupos vem acusando, entre outras pessoas, o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmim de ser fascista. Eu, particularmente, não gosto da ideologia, da forma de governo, e de nada politicamente falando que diga respeito ao Sr. Alckmim, mas... suponhamos que ele realmente seja fascista... e daí?!
Eu não sou a favor de nenhuma forma de totalitarismo, e por consequência do Fascismo, mas repare: se o governador de São Paulo e as outras pessoas acusadas forem realmente fascistas, o problema é delas, e a culpa de um fascista estar no poder é sua, pois foi você que elegeu ele... a problemática é simples assim.
A questão aí está no seguinte: um governante, ou qualquer pessoa civil, tem, numa sociedade democrática, a total liberdade (ao menos na teoria) para ser fascista, comunista, nazista, anarquista, capitalista, meijista, satanista, cristão, islâmico, ou qualquer coisa que ele queira ser, por mais que a ideologia que ele defenda seja contrária a opinião da sociedade em que está inserido. Ou seja, num regime democrático e laico, sou eu, e mais ninguém que define qual bandeira eu quero levantar, e assim, obviamente, o governador Geraldo Alckmim, a presidente Dilma, ou qualquer mendigo da rua pode ser o que ele quiser, ideologicamente falando.
Se a pessoa tem a liberdade de ser o que quiser, concorre a uma eleição, mas você não concorda com a ideologia que ela carrega, a única coisa que podes fazer é não votar nela. Suponhamos que no caso, os acusados nos protestos fossem mesmos fascistas... será que eles iriam se importar com um bando de pessoas gritando algo que eles são assumidamente?! Para isso cabe um exemplo: 
"O Sr. Joaquim está em sua. Em certa hora da noite, muitas pessoas começam a vir para a porta de sua casinha e gritar: "Cristão, cristão, cristão!". O Sr. Joaquim vai a missa todos os dias, e, ao ouvir isso, fica lisonjeado com tais adjetivos."
Assim, chamar um fascista de fascista não vai mudar em nada, absolutamente nada a sua caracterização política. O máximo que ele poderá fazer é sair na janela e gritar: "Nossa, obrigado! Vocês estão me reconhecendo por algo que eu sou".
Claro que toda essa reflexão partiu de interpretações literais do termo "fascista", e não irei entrar no mérito "mas eu não sabia que ele era fascista", pois, no caso dos protestos, o adjetivo usado (fascista) foi um xingamento, assim como é na maioria das vezes "satânico". "maquiavélico" ou "gay". O que quero deixar para reflexão são duas coisas:
1) Xingar alguém com um adjetivo ideológico é algo irracional, pois se a pessoa realmente for da ideologia a qual está sendo xingada, ela simplesmente não se importará, e se não for, poderá tranquilamente ignorar. Esperar que o outro fique irritado com um xingamento de "fascista" é algo totalmente infantil (literalmente), pois, é apenas em brincadeiras (ou brigas) de criança que vemos (ou deveríamos ver) um amiguinho chamando o outro de "feio" e este ficando triste.
2) As pessoas possuem liberdade democrática de ser o que quiserem. Cuidado com acusações e desrespeito por causa da ideologia que o outro segue. Isso se chama preconceito, e no preconceito, o errado se transforma em certo, e o certo se transforma em errado. Saiba ter suas convicções, mas não maltrate as pessoas com base nas crenças ou seguimentos delas. Como disse, se você é cristão e é contra um candidato satanista, simplesmente não vote nele. Não vai adiantar você querer ir para a porta dele e ficar gritando "satânico, satânico, satânico", pois ele já sabe disso.
Para complementar o que escrevi hoje vou deixar um vídeo que vai sintetizar esta questão de liberdade e ideologia.
Do canal Pirulla25, que sugiro que sigam.

Romes Sousa

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O mundo anda mal? Pai, a culpa é sua!

Hoje tive uma experiência curiosa que me levou a uma conclusão que só neste momento posso considerar óbvia, mas, de qualquer forma, elucidarei sobre para que mais pessoas pensem a respeito.
Na porta de um importante colégio particular de minha cidade, por volta das 17:30, um garoto negro de aproximadamente sete anos de idade andava de um lado para o outro, em busca sabe-se lá do quê.  O menino estava mal vestido e, sem contras, apresentava ser de uma classe social inferior. A impressão que dava era de que ele estava pedindo algo, ou seja, uma criança pedinte. 
O garoto foi até a governanta do colégio, num momento que esta abriu o portão de entrada dos alunos da escola, disse algo, e foi repudiado com um grande "não", que reparei nitidamente. Não posso afirmar qual havia sido a pergunta da criança. Em seguida, o mesmo foi até uma livraria, ao lado do referido portão, e novamente foi repudiado. Numa nova tentativa, o menino, que comia um algodão doce aparentemente sujo, se aproximou de uma aluna do colégio e, ligeiramente bateu o doce nesta, que estranhou. A adolescente tentou puxar conversa, mas nada adiantou. Ela perguntou o seu nome, e não foi respondida. 
O menino continuou a andar e eu, de longe observava tudo. Ele então, no momento em que os alunos menores da instituição saiam, o pobre garoto adentrou a um local na escola onde funciona um jardim de infância. Ficou por lá poucos minutos (ou um minuto), e saiu repudiado pela coordenadora pedagógica da escola.
As peripécias não pararam e logo depois o garoto, tomando água em uma garrafa, se aproximou de uma outra aluna adolescente e, estranhamente, cuspiu uma quantia desta água que tomava no chão, próximo a garota, que obviamente, estranhou aquilo. 
Apesar de só o que já narrei possibilitar uma boa reflexão sobre diversos assuntos de contexto social, o que mais chama a atenção vem quando o portão para as crianças maiores, em torno de sete, oito anos de idade (o mesmo portão em que o menino pediu algo para a governanta e foi rejeitado) foi aberto.
O leitor deve ter reparado que antes, o garoto negro foi excluído de todos os contextos que vivenciou. Agora, não. Curiosamente, as outras crianças, principalmente meninos, de idade similar a do protagonista desta história, aceitavam sua aproximação. O menino de classe social inferior ficou por alguns minutos com um grupo de alunos da escola, depois foi conviver com outros, que brincavam com cartinhas, chegando até em um dado momento, a arrumar uma pequena confusão de criança com filhos de pessoas "da alta" de minha cidade. Era isso mesmo: um menino pobre foi rejeitado por adultos não tão pobres, mas conviveu muito bem com crianças ricas, filhas de pais influentes na sociedade em questão.

O que isso quer dizer? Porque o garoto foi repelido por adultos e não por crianças?

O senso comum poderia dizer: crianças são dóceis, inocentes, puras, carinhosas... etc, etc, etc... mas acontece que este blog não trabalha com senso comum. Na história descrita observamos este estranho fenômeno que me faz levantar a seguinte hipótese: a noção de segregação por classe social, assim como a discriminação e por consequência, o preconceito, são oriundos, invariavelmente, dos processos de socialização pelas quais um indivíduo é exposto principalmente na fase da infância.
Não é um total determinismo, mas sim, a pessoa aprende a ser preconceituosa, aprende a segregar dentro de sua própria casa. Sim! Principalmente dentro de casa, com a sua família, o que corresponde ao processo de socialização primária. 
Praticamente todo pai que ler esta postagem dirá: "ora, mas que não sou preconceituoso, não passo preconceito para meu filho". Sr. Pai, alguma vez o senhor já fez alguma brincadeira, ou mesmo disse dentro de casa: "aquele viado...", "aquele gay...", "isso é muito gay", "isso é coisa de preto", "chuta que é macumba", "isso é coisa do capeta". Já xingou alguém no trânsito de "gay", ou até mesmo de "idiota", "burro", "mongoloide"? Se fez isso, ou qualquer coisa similar, saiba: você, querendo ou não, desrespeitou um grupo social, ou seja, o senhor, caro papai, agiu preconceituosamente e ensinou o seu filho a ser preconceituoso, desenvolveu isso nele.
Porém, caso realmente não tenha existido um processo de socialização primária que desenvolvesse o preconceito, em geral, a criança aprenderá (ou tenderá muito a aprender) este em socialização secundária (ou seja, nos seus outros centros de convivência - escola, igreja, casas de amiguinhos, etc), no entanto, o preconceito que se desenvolve em socialização secundária tende a ser menor do que aquele que emerge em socialização primária. Ou seja, o que a família ensina normalmente tem um peso maior na infância do que aquilo que quem está de fora ensina. Portanto, pais, vocês são os maiores educadores que seus filhos podem ter. Pensem nisso!

Mas qual o motivo de haver desencontro de comportamento entre ações preconceituosas de adultos e crianças? Porque os adultos parecem ser mais preconceituosos? Dentro da história, qual a razão de os adultos terem rejeitado o menino, e as crianças, não?

Uma criança em fase de sete, oito anos, como as da história, está aprendendo, está se socializando em um meio, ou seja, não possui ainda a malícia suficiente que um adulto possui, e por tanto, não demonstrará preconceito para muitas coisas e será, como os adultos falam, inocente, puro, angelical, doce, etc.
Um indivíduo desenvolve ideias e ações mediante às suas experiências e conclusões, e a criança ainda não possui toda uma bagagem, que é até mesmo de "conhecimento" para julgar tão maliciosamente situações de nosso dia-a-dia.
Outro fator que também impulsiona isso é o fato de terem as crianças nesta faixa de idade - sete, oito - uma necessidade grande por brincar, se divertir. Logo, elas não estão ligando tanto para questões sociais, culturais, ou seja, não importam totalmente se a outra criança é negra, azul, pobre, rica, feia, satânica, etc, etc, etc,... elas querem brincar, apenas isso, e este segundo fator se relaciona com o que foi falado no primeiro: a criança é livre da malícia tradicional de um adulto, e essa liberdade dá mais facilidade para que ela demonstre suas vontades, sensações, emoções e sentimentos.

Tentei, por meio da reflexão imediata que tive que fazer hoje - 19/02, passar a todos a noção exata de que, em geral, todo o condicionamento de relações sociais é ensinado e aprendido principalmente na infância, dentro dos processos de socialização, dando ênfase a socialização primária. Preciso relembrar também da importância da educação dos pais para com seus filhos. Se é do desejo de todos a construção de uma sociedade melhor, então que comecemos pelas nossas casas, pelas nossas crias. Uma sociedade só pode ser igualizada, realmente igualizada, por educação, e qualquer medida que contrarie isso pode ser considerada de caráter imediato e, logo, não evolutivo e/ou permanente. 

Antes de querer mudar o mundo, haja, exista, mude-se.

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REFLEXÃO EXTRA: As peripécias do menino sob um olhar "poético"

Narrei, ao longo da história do menino pobre, diversos episódios em que a criança faz peripécias, brincadeiras (algumas até estranhas) com quem o estava próximo. Observem, sem falar de sentido psicológico e psiquiátrico disso tudo, o cunho poético dessas ações: o menino fazia tudo aquilo para ser visto, para ser notado. Se não fizesse, ninguém daria a mínima para aquela criança. De uma forma ou de outra, ele protestava contra a nossa sociedade que, de tão capitalista, chega a ser contraditória. Sem fazer juízo de valor, mas, claro, já fazendo, uma escola, um centro de educação, excluiu de seu convívio uma criança cuja idade era similar a das que lá estudam simples e meramente por questões sociais, financeiras e estéticas. O menino negro protestou, como quem diz: "eu existo, eu estou aqui, vocês não estão me vendo?". Capitalismo exacerbado, se contradiga! Você existe, quase que totalmente, para isso!
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Romes Sousa

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Uma luta de classes diferente...

ATENÇÃO: Este é um texto rápido e totalmente resumido de ideias próprias do autor, que não visa se estender sobre nenhum assunto. Como, por onde começar e como agir para que as propostas sejam atendidas são assuntos para outras publicações. Obrigado!

A máxima marxista de luta de classes, caso levada ao pé da letra, se faz um tanto quanto violenta atualmente, contrária aos direitos humanos. Guerrear, matar pessoas, destruir governos e famílias tendo por fim a implantação de uma sociedade mais justa e igualitária... não, talvez este não seja o caminho.
A verdadeira luta de classes ocorrerá (ou deve ocorrer) quando pessoas souberem, por si só, questionar a um sistema de governo, crescer sua intelectualidade a fim de debater e saber exercer com soberania a sua cidadania. O Brasil mais precisa de críticos do que de guerrilheiros. Sociedade igualitária se implanta com educação, e não com armas.
Uma sociedade sem classes e totalmente igualitária é possível? Não sei, mas dar condições para que criemos um país igualitário... sim, isso é possível! 

Romes Sousa