sexta-feira, 29 de junho de 2012

Análise Crítica de "A Cabana"

DADOS:

Obra: A Cabana (The Shack)
Autor: William Paul Young
Ano de lançamento: 2007
Editora: Sextante

ANÁLISE CRÍTICA:

Uma história inicialmente comovente, mas que rapidamente se transforma em um mar de embromações. Esta é a síntese inicial da obra "A Cabana".
O livro conta a história de Mack, um pai que ao ir para um passeio com os filhos, perde sua filha mais nova, Melissa (Missy), e logo em seguida algumas evidências apontam para um assassinato brutal da garota dentro de uma velha cabana.
Após alguns anos de sofrimento, Mack recebe uma carta assinada de "Papai", nome pelo qual sua esposa chamava Deus, pedindo que ele volte a mesma cabana onde sua filha havia sido morta.
Com muito medo do que pode acontecer, Mackenzie volta ao lugar e numa situação extremamente fantasiosa (não tenho nada contra), entra num mundo quase extra-dimensional e passa a ter contato com três criaturas estranhas. Uma negra, que se nomeia Deus, um árabe, que se diz Jesus e uma oriental, que se denomina Espírito Santo, embora na obra tenham nomes diferentes.
É neste instante em que William Young joga tudo o que antes havia sido contruído no lixo. A partir daí, Mack passa a conversar com as criaturas que encontrou na Cabana sobre diversos assuntos da vida, passa duzentas páginas numa enrolação que não adiantou absolutamente nada.
Resultado: A obra não convence, o consolo esperado pela morte da filha não vem, fica tudo em um empasse cansativo e a partir do momento em que Mack volta a cabana, a história morre, o clima de narração antes criado acaba, a realidade anterior some.
A história inicial é boa e comovente, mas o final também te faz chorar de arrependimento de ter lido o livro. Alguns dizem que o livro não tem cunho religioso, eu discordo. Em várias passagens da obra é citado o nome de objetos religiosos, como escola dominical, bíblia, etc.
É um bom livro para aqueles que não gostam de emoção, mas fraquíssimo para quem lê em busca de aventuras. E, sem querer fazer comparação religiosa, existem muitas outras obras de vertente espiritualista que consolam muito mais do que esta. Uma dica para quem quiser escrever um romance parecido: coloca o Mack, ou seu personagem principal em contato com a filha, numa forma de anjo. Aprofunde no contexto sobrenatural, a literatura permite isso e o contexto da história também. Não se prenda em três criaturas sem sentido. Vá fundo. A presença de Missy na história seria muito mais consoladora do que os personagens da cabana. Não digo para excluí-los, mas coloque também a Missy, ficaria melhor.
Concluindo, o livro enrola o leitor, prende numa situação extremamente chateante. Por favor, se quiser comprar livros espiritualistas de caráter "A Cabana", compre outros.
A qualidade de conteúdo é outra, o consolo também (claro, dependendo da obra).

- Obs.: Não tenho nada contra o autor, que é (ou foi) bom em algumas partes da história. Não gostei do andamento da obra, mas em termos de recursos narrativos, não tenho nada do que me queixar.

Romes Sousa

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Exibição e análise crítica do poema "Trindade", de Álvares de Azevedo

EXIBIÇÃO DA OBRA

Poema: Trindade
Autor: Manoel Antônio Álvares de Azevedo (12/09/1931 - 25/04/1852)

A vida é uma planta misteriosa
Cheia d’espinhos, negra de amarguras,
Onde só abrem duas flores puras
Poesia e amor...


E a mulher... é a nota suspirosa
Que treme d’alma a corda estremecida,
É fada que nos leva além da vida
Pálidos de langor!


A poesia é a luz da mocidade,
O amor é o poema dos sentidos,
A febre dos momentos não dormidos
E o sonhar da ventura...


Voltai, sonhos de amor e de saudade!
Quero ainda sentir arder-me o sangue,
Os olhos turvos, o meu peito langue...
E morrer de ternura!


Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/alvares-de-azevedo/trindade.php#ixzz1z8RxajzC

ANÁLISE CRÍTICA

O poema “Trindade”, de Álvares de Azevedo leva o leitor à reflexão sobre alguns dos dogmas da existência humana, a vida, a mulher, a poesia e o amor.

Logo na primeira estrofe, o poeta deixa uma visão um tanto quanto pessimista com relação à vida, o que fica muito claro no segundo verso: “Cheia d´espinhos, negra de amarguras”. A idealização completa a primeira estrofe. Idealização esta as “flores puras da vida”, a poesia e o amor.

A mulher é tema principal da estrofe seguinte, comparada inclusive, a uma fada que leva ao homem a um estado quase que sobrenatural, irreal, descrito como “além da vida”. A clareza da estrofe fica perceptível ao se analisar a história de Álvares e o contexto histórico da segunda geração romântica, a que pertenceu e se consagrou. Sabe-se que Azevedo adorava escrever e suas poesias demonstravam ares de insatisfação com a vida, tristeza profunda, depressão explícita, desejo da morte. E um dos motivos apontados por muitos para tais vontades estava no fato de não ter um amor correspondido, amar e não ser amado.
A lástima é deixada de lado na terceira estrofe. As “flores puras da vida” tão exaltadas no início se tornam destaque. A poesia é aclamada a luz da mocidade, fato que se explica pelo contexto da época, onde havia certo predomínio da escrita por jovens. Sabe-se que a exemplo de Álvares, outros poetas do ultrarromantismo morreram em tenra idade, vitimados, na maioria das vezes, da tuberculose.
 Ainda falando da terceira estrofe, percebe-se exaltação ao amor. O sentimento é elevado a um estágio de glorificação onde se torna sinônimo de felicidade extrema, estado honroso para o espírito de um ser humano, tendo na descrição algo meramente abstrato que pouco se pode comentar.
A exibição de uma vontade desumana de voltar aos belos sonhos de amor e saudade são marcas da quarta e última estrofe do poema. Álvares volta a clamar pelo amor, a exaltar as belezas da vida. A fim de representar as invocações que faz ao passado, o poeta usa artifícios de narração que abrilhantaram ainda mais sua obra: “Quero ainda sentir arder-me o sangue, / Os olhos turvos, o meu peito langue, / E morrer de ternura!”
Notamos que especificamente neste poema, Azevedo leva o leitor a passear pelo seu mundo, expondo em algumas ocasiões, as angústias de amores, porém que em nada abalaram sua paixão pelas mulheres, mostrando o amor do leitor pela poesia e idolatria pelo amor. Este é um poema que, diferente de outros não traz um sentido tão forte do desejo de morte, característica que marcou o autor, mas sim, expõe preciosidades de um rico pensamento filosófico.
Romes Sousa

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Álvares de Azevedo: A mente preciosa que desejava morrer

Escrever sobre Álvares de Azevedo é falar não apenas de um grande escritor, de um marco para o Romantismo brasileiro, mas sim de um literato eterno que cresceu um sentimento jamais visto em outros períodos da humanidade.
O desejo de morrer é fator claro e marcante deste escritor, que tão cedo se vê com tantas decepções na vida cotidiana, a falta de um verdadeiro romance, os amores não correspondidos. Logo Azevedo se tornou presa fácil para uma profunda depressão. Depressão ao menos a nível mental, expressa em riquíssimos poemas.
Para Álvares, a literatura foi ombro para chorar, psicólogo íntimo e pessoal, que satisfazia seus desejos e expressava toda sua dor, toda a sua aparentemente estranha vontade de morrer para fugir do desdenho da exclusão e desilusão amorosa.
Para um gênio como Álvares de Azevedo todo comentário é pouco. A história fala por si só, ou melhor dizendo, os poemas ganham voz e nos levam ao encontro de uma das mentes mais preciosas da humanidade.

Embarque conosco nesta incrível viagem pela análise de alguns poemas de um dos maiores romantistas brasileiros.

* Logo postarei a análise de alguns dos poemas de Azevedo.

Romes Sousa

domingo, 24 de junho de 2012

Chuva de talentos mirins no SBT

Uma ideia muito boa da televisão brasileira, especialmente do SBT foi a criação de um concurso que promovesse os talentos mirins brasileiros. Falo especificamente do quadro Jovens Talentos Kids, do Programa Raul Gil que vai ao ar aos sábados, ás 14:00 (horário de Brasília).
Assisti ao programa do dia 23/06/12 e fiquei encantado com a quantidade de crianças e adolescentes talentosos que por lá passaram. Dando uma de crítico musical (eu gosto de fazer isso) vou comentar os astros e estrelas que se apresentaram no sábado.
Falando primeiramente da jovem Bekah Costa, que cantou o sucesso gospel "Cubra-me". Realmente impressionante foi a postura em palco desta jovem, ficou muito bom, devo parabenizá-la, agora, não gostei da música que ela escolheu para cantar visto que não admirei como pretendia a voz da adolescente. Agora, com toda a história de vida e presença de palco não há como não considerar Bekah como uma estrela que por lá passou.
Outra que adorei ver cantar foi Carol Pazó. A jovem cantou "Gypsy" e demonstrou uma belíssima voz com uma excelente presença de palco. Ficou incrível a apresentação, se pudesse avaliar por nota daria dez, uma das mais belas apresentações jovens que já vi. Carol teve a melhor presença de palco da tarde.
Um sucesso oriental que amei ver apresentar foi a pequena Karen Taira. Para mim, a voz mais linda do dia, foi sensacional vê-la cantar "Noraneko Sandogasa". Já é difícil ver uma criança que cante, imagine só ver uma menina de nove anos com uma voz enorme e uma apresentação quase perfeita como foi a de Karen. Não vou dizer perfeita pois concordo com a jurada Mia que, na sua avaliação disse que gostaria de ver a oriental movimentar mais os braços, ter mais presença de palco. Por fim, digo que achei muito, muito bom mesmo, ficou realmente ótima a apresentação da nipônica.
Um timbre belíssimo quem tem é Victor Toledo, que apresentou "Deus, tu és santo". A voz do garoto é sensacional para uma altura média e tem um grave muito bonito. Não gostei muito foi das elevações de voz que ele insistiu a fazer durante a música. Poderia ter se poupado disso. Como Régis Tadeu bem disse, acho que por querer expor sua voz acabou por não moderar os ápices musicais. 
Falar de Bryan Santos (cantou "Quem tem sorte é sortero") é falar de extremos opostos. O carisma é notável, não há o que dizer quanto a isso, agora, com relação á voz, eu não gostei. É claro que se deve considerar o estilo da música, entre outras coisas, mas em um balanço geral, ficou devendo. Porém, nada que apague os pontos positivos do garoto, o carisma e a presença de palco que demonstrou.
Michael Jackson esteve presente na apresentação de Patrick Michael, com I´ll be there. O timbre do menino é bom, mas não gostei da música escolhida. Nas partes principais da música a voz faltou, deu para perceber nitidamente um defeito. A pronuncia infelizmente foi um destaque negativo de Patrick. Gostei principalmente da postura de palco e da emoção que impôs a canção.
Falei em geral de todos os candidatos, espero não ter esquecido de nenhum. Para completar, os escolhidos foram: por Régis Tadeu, Carol Bazó, por Mia, Karen Taira, que com apenas uma aprovação na próxima apresentação é semifinalista, por Simoni, Victor Toledo e por Jotta-A, Bekah Costa.
Meu intuito com este post não foi criticar nenhuma apresentação, mas sim elevar os talentos mirins brasileiros. Devemos entender que todos eles ainda estão em processo de aprendizagem, na verdade todos nós estamos. Fiz os elogios e as considerações a fim de tentar melhorar as apresentações destes garotos que são realmente o futuro da música brasileira. Prezo sim que respeitem todos os talentos mirins independente de estilo ou arte, pois eles são os futuros de nossa arte, de nossa cultura. Fico extremamente feliz ao ver crianças fazer apresentações como as que assisti, foi ótimo. Espero poder estar comentando cada vez mais, espero poder postar muito mais conteúdo sobre estas sementes do Brasil que nos dão a real esperança de um futuro melhor. Apoio e seguirei apoiando muito nossos talentos. E só para deixar claro, minhas favoritas foram Carol Pazó e Karen Taira. Parabéns a todos os jovens artistas deste país!

Romes Sousa

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Professores de rede pública, mocinhos ou vilões?

Falar é simples, como é simples. Escrever também é muito simples. Concordar com a ideia de que a educação brasileira anda de mal a pior é comum, é convenção. Pois lhe digo: eu concordo, a educação pública brasileira é péssima, eu concordo, os alunos da rede pública são meras estatísticas. Concordo e para tudo o que disserem de ruim sobre a educação pública no Brasil direi: é verdade!
Que pena não poder dizer isso em mais um texto com fundamentação teórica sem qualquer compromisso com a prática. Que pena praticar. Que pena sentir na pele o que é tentar ajudar um aluno de escola pública.
Sou professor de Informática no Centro Espírita Apóstolo Paulo. Trabalho como voluntário, desta forma, todos os alunos que querem se matricular são aceitos desde que cumpram um requisito básico: saber ler. Logo é ridicularizante deixar vir a sala de aula uma criança de onze anos e eu ter que perguntar: sabe ler? Tenebrosa é a resposta: sei um pouco. 
O mais estranho é você perguntar sobre notas: de 6 para cima. E não para por aí. A criança de que conto a história aqui é educada, longe de qualquer drama pejorativo que predomina na sociedade. Tem respeito e aparenta ter responsabilidade. É uma boa menina. É uma vítima de nosso sistema educacional pois é só perguntar quanto é 3+1 para se deparar com minutos de pensamento e analogias do tipo: "tinha três pirulitos, se ganhar mais um ficarei com quatro". A menina cursa quarto ano e nunca foi reprovada. Se quer tirou uma nota menor que seis. Por respeito, não compararei o seu intelecto com uma aluna mediana de rede particular. Logo confirma-se o acerto da estudante. Logo confirma-se o erro dos governantes e de professores da rede pública.
Eu não vou ser hipócrita aqui de dizer em cunho generalizado "A culpa pelo desastre educacional brasileiro é  o governo que não investe em bons salários e boas escolas". Saiba que existem na rede pública péssimos profissionais de educação que odeiam a profissão. 
Uma coisa que pude concluir após um ano lecionando informática como voluntário é: se o professor quiser, ensina em qualquer situação. Já lecionei sem quadro. Meus alunos aprenderam. Já lecionei sem a mínima estrutura física. Eles aprenderam não porque sou bom, mas porque quiseram aprender e porque eu soube fundamentar a educação que para eles passava. Logo conclui-se que este papo de que educação é péssima apenas por conta de governo é mentira (em partes, claro). 
Na rede pública não há fiscalização fervorosa de quem cumpre o papel como deveria ser e de quem faz de conta que ensina. Já ouvi inúmeros relatos como os citados abaixo:

- "O meu professor de ciências passa vinte questões e nós decoramos. Dez estarão na prova."
De uma aluna de informática.

- "Tinha uma professora de biologia que chegava na sala e se sentava. Ela ficava conversando com a aluna da frente. Falava do marido, todo dia arrumava uma confusão. Passava a aula toda sem dar aula e no final passava trabalho, sempre pedia o resumo de um conteúdo." 
De uma amiga.

- "O professor de sociologia não fazia prova escrita, fazia dinâmica. Todo mundo tirava dez. Qualquer resposta ele considerava. Fiquei assustada quando ele saiu e entrou uma professora que dava prova. Quase ninguém conseguiu tirar dez."
De uma amiga.

Vamos aumentar o salário dos professores? Vamos, porque não! São mal remunerados, eu sei! Agora, fiscalizemos também todo o trabalho dos professores, que tal ouvirmos os melhores alunos? Que tal conhecermos a realidade da nossa educação? Que tal avaliarmos nossos potenciais? Que tal criarmos cidadãos?

Pense!

Romes Sousa