sexta-feira, 30 de março de 2012

Superdotados: Reflexões introdutórias

Psicólogos e pedagogos estimam que em uma sala de aproximadamente trinta crianças, quatro sejam superdotadas.
Porém, qual é o sentido plausível para se classificar o superdotado? O que é um superdotado?
Segundo diversos profissionais da área da infância e juventude, superdotado é todo aquele que apresenta habilidades especiais para uma área específica, seja esta qual for.
Claro fica o fato de que, o superdotado, apresentando habilidades extraordinárias para uma área, não é um "gênio", apenas uma criança comum, com necessidades infantis e, como jamais poderia deixar de ser, influenciada por seu ambiente de convívio.
Atualmente, dois grupos de superdotação podem ser separados a fim de facilitar o entendimento do fenômeno. 
Existe a superdotação artística, no qual o indivíduo manifesta extraordinárias habilidades para a arte e existe também a superdotação intelectual, muito comum atualmente. Nesta, o superdotado tem facilidade em aprender uma área específica do conhecimento, a qual lhe interessa.
O tema superdotação é recoberto por perguntas e questionamentos diversificados, porém, o que existe de concreto é que, até o momento, o superdotado não apresenta características biológicas diferenciadas dos considerados "normais". 
O superdotado é um reflexo de uma nova sociedade que se forma, dotado apenas de uma vontade de aprender e capacitado, por instinto de criança, a se apegar ao ambiente artístico ou intelectual que lhe é satisfatório. Este apego gera então, a vontade de se pesquisar e aprender mais sobre o assunto, gerando um superdotado que prefiro denominar "superdotado de formação". 
Este grupo de superdotação não é específica, mas sim muito comum e está presente nas mais diversas regiões. É natural e completamente compreensível, visto que, a partir do instante em que a criança passa a se interessar por uma área, tem a sua volta um enorme contingente de oportunidades de pesquisa. Isso, logicamente, aumenta sua habilidade em uma área, tornando-o assim, um superdotado.
O superdotado de formação apresenta, em muitas ocasiões, características psicológicas próprias, como a vontade e instinto a pesquisa.
Em outras postagens, estarei dissertando sobre as superdotações artística e intelectual. Por enquanto, o que deve ser compreendido após a leitura desta postagem é que o superdotado é apenas um ser com capacidades maiores para uma área, porém, não deixa de ser uma criança, ou um jovem, o que deve ser respeitado. Ficou esclarecido o fato de que, pode ser a superdotação, uma propriedade gerada pelo próprio indivíduo. Deixo claro também que pode e é comum que o superdotado tenha facilidades enormes em áreas que lhe são gratas. 
O tema é intrigante e vasto. Há muito a ser dito e refletido. Voltaremos a conversar nas próximas postagens.

Romes Sousa

quinta-feira, 8 de março de 2012

Reflexões sobre o "ser artista"

Muito se fala atualmente em "ser artista", viver de tal arte, conseguir se sustentar a partir do talento próprio.
Porém, seria este talento um dom natural ou uma infâmia social?
Logo entenderemos porque citei a expressão "infâmia social". Focaremos, inicialmente, no sentido e na representação do artista atual. 
A arte surgiu nos primórdios da humanidade, sendo caracterizada por um bom tempo como a representação do belo, no entanto, evoluiu ao patamar de chegar ao estado atual de representar de alheias formas da realidade, sendo ponte de interlocução entre o mundo íntimo e psíquico do artista e o mundo físico real.
Partindo deste aspecto, o artista é todo aquele que faz de alguma forma, uma arte, ou seja, uma recriação significativa da realidade. Sendo assim, o artista teria o papel de estar levando sentimentos e emoções a sociedade de forma geral.
Mas é realmente esta sociedade, alucinada e sem valor próprio que levará o artista ao status de infâmia social. A glorificação pública a um determinado artista o leva, mesmo que inconscientemente a adotar para si um estado de conforto e superioridade quanto aquela mesma sociedade que o promoveu.
O artista endeusado se coloca em posição superior por pensar que tudo está circulando a seu redor e que seus fãs o sustentam, mesmo nos piores momentos. É um estado persistente que, é comum quando se avalia a sociedade capitalista em que vivemos.
A partir do instante em que o artista se eleva e usa da sua arte para se sobrepor aos outros demonstra duas qualidades (se assim podemos chamar): hipocrisia e falta de amor pela profissão.
Porque hipocrisia?
Hipocrisia pelo fato de que o artista se coloca em um estado soberbo tão grande que acaba por esquecer do sentido da arte. A arte foi criada como forma de expressão humana e não como forma de sobreposição. É o capitalismo artístico.
Falta de amor pela profissão por motivo muito parecido com a hipocrisia: não respeita o que faz, não respeita a arte e seu sentido original. Tenta se sobrepor a arte. Creio que seja de concordância mútua que assim fazendo, o indivíduo pode deixar de ser artista.
Estes são os motivos principais que levam algum artista a fazer parte da infâmia social, se fechando para a realidade física, prendendo-se ao mundo dos elogios e sendo sustentado pelos fãs.
E depois você para pra pensar: quantos querem ser artista? Porque querem ser artista? Seria por amor a arte ou pelos benefícios futuros?
A forma de organização social que predomina no Brasil centraliza o artista e centraliza a fama fazendo que esta seja alvejada por todos. Cria-se para mascarar o ser artístico a expressão talento. O que seria talento?
Talento é (ou seria) a habilidade de alguém para fazer tal coisa. Só vale lembrar que esta habilidade está nos olhos dos fãs (talvez seja por isso que os dons artísticos são de mútuas opiniões até mesmo em centros de críticas artísticas), que como já dito em posts anteriores, se faz de obsediado e louco por tal artista diminuindo consequentemente o amor próprio.
Toda nossa sociedade vive num campo magnético que impulsiona as pessoas para aquilo que gera lucro e benefícios futuros. Isso é um estado de alienação social grave. É por este motivo que muitos querem ser artista. Estes pensam na fama e na glorificação. É querer estar no lugar que tanto deseja, no centro social.
Paramos para pensar: onde se iniciou este ciclo? Na sociedade que influenciou o desenvolvimento do artista e que pelo princípio da ação e reação que, por incrível que pareça surge num discurso social, sofre as consequências do apoio maciço a que designou seu tempo, sendo suporte para o mundo de fantasias que cerca o profissional artista.

Conclusão:

A sociedade eleva o artista e esta mesma sofre as consequências da desigualdade que surge posteriormente.

Romes Sousa


sábado, 3 de março de 2012

Reflexões sobre a ideia de "salvar o mundo"

Atualemente muito se houve falar em salvar o mundo. Esta é uma questão que está presente em diferentes culturas, cada uma interpretando de uma forma a fim de chegar a um consenso sobre o futuro. 
Os ecologistas falam em "salvar o mundo" no que se refere ao meio ambiente e a preservação a natureza.
Os economistas entendem "salvar o mundo" no sentido de livrar o planeta de uma catástrofe econômica.
Os geógrafos dizem "salvar o mundo" partindo da razão dos questionamentos sociais sobre comida e moradia.
Já os religiosos fanáticos interpretam "salvar o mundo" no sentido de livrar o planeta de algo super ruim, uma catástrofe diabólica, no qual o mal predominaria sobre o bem, etc.
Mas, terá sentido a ideia de salvação do mundo? Primeiramente, deve-se levar em conta o sentido etimológico de cada palavra.
Salvar, etimologicamente falando significa livrar de uma situação perigosa, abster-se do perigo.
Mundo possui sentido de planeta. Então, a partir disso, fica concluido que, salvar  o mundo está relacionado a livrar o planeta de algo que o deixa em perigo.
O que o deixa em perigo?
Os conservadores dirão: o que deixa o mundo em perigo são as ações humanas, a destruição da natureza, etc. Não é uma opinião completamente errada, porém, se olharmos por outro sentido veremos que estas mesmas ações humanas antes citadas se referem ao produto social conservado através de gerações.
Em todos os tempos existe o mesmo discurso, mesmo que, sem grandes ênfases de preservação ambiental, zelo com o patrimônio natural e respeito a todos. É um conceito geral, que, sem ser pensado e sem respeitar as regras da razão, são passados de pai para filho.
São passados porque?
Porque o pai tem a visão de que aquilo é correto. Os conceitos que a pessoa assume para si de sua religião, filosofia de vida ou área do pensamento são transmitidas de modo quase que genético. Desta forma, é fato que, primeiramente, as ideias de que o mundo deve ser salvo e porque são transmitidos de modo geracional, muitas vezes, limitando a capacidade da razão.
Um exemplo fácil de ser compreendido: O indivíduo X nasce no meio de uma família que segue rigorosamente uma religião super fechada que prega que o mundo deve ser salvo do "mal" que as outras crença pregam. Automaticamente, este indivíduo terá em mente que o mundo deve ser salvo e que as crenças alheias são o mal do planeta. Se X for mais conservacionista e não abrir a visão racional, terá tendências em se tornar um religioso altamente fanático. É a influência do meio.
Mas estamos falando em salvar o mundo. Já é notável e inteiramente compreensível que nem sempre o conceito de salvação mundana é igual em todas as sociedades. O que deve ser quase que obrigatório quando se fala em salvar o mundo é a ação que o homem tem sobre o planeta. 
Talvez o que deve ser feito não é salvar o mundo, mas sim mudar o mundo, quando se liga ao conceito filosófico de que o mundo sofre catástrofes, tanto naturais quanto artificiais e sociais. São as atitudes individuais de cada pessoa que devem ser mudadas. Isso parte do ponto que já falei várias vezes em postagens anteriores, de uma modelação da personalidade. 
A abertura de visões ajudará a pessoa a ter perspectivas, consequentemente, evoluir economicamente, ter um respeito maior para as questões ambientais, evitando assim, o fracasso do mundo.
Não é o mundo que precisa de salvação, pois que "modifica" o mundo é o homem, e é justamente este que deve ter seu íntimo modelado ou transformado, embora isto seja, realmente, muito difícil. O homem deve ser reponsável por suas ações e estas sim, constroem o mundo. Concluindo: se há algo a ser mudado são as íntimas atitudes humanas.

*Obs. Entende-se por mudança de atitude, uma mudança gradual que parte da personalidade e constroi uma sociedade mais intelectual e socialmente integrada.

Romes Sousa